O que é normal? Entre o naturalismo e as plataformas biomédicas
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Resumo
Este trabalho busca analisar criticamente a aplicação do modelo naturalista da saúde,
especialmente a Teoria Bioestatística da Saúde (TBS) de Christopher Boorse, ao campo das
psicopatologias. Defendendo que saúde é o funcionamento típico das partes do organismo segundo
padrões estatísticos da espécie, Boorse propõe uma definição objetiva e livre de valores, que tem
influenciado os critérios diagnósticos contemporâneos. No entanto, ao considerar normalidade e
disfunção como dados naturais, o modelo desconsidera fundamentos clínicos, tecnológicos e sociais na
construção do diagnóstico psiquiátrico. A partir disso, confronta-se a TBS com o modelo teórico
proposto por Keating e Cambrosio, que descrevem a medicina como um estilo de prática moldado por
plataformas biomédicas, arranjos técnicos e discursivos que produzem e estabilizam categorias como
“normal” e “patológico”. Com base em revisão teórica e análise conceitual, conclui-se que, no
contexto da psiquiatria, os critérios de disfunção não são empiricamente dados, mas performados por
práticas normativas e tecnológicas. O estudo contribui para o debate filosófico sobre a saúde mental ao
evidenciar os limites epistemológicos do naturalismo e enfatizar a necessidade de modelos que
reconheçam a importância sociotécnica e histórica na definição das psicopatologias.
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