Kentukis: Inocentes Animais de Estimação ou Monstros que Invadem Nossa Privacidade?

Conteúdo do artigo principal

Mateus Ramos Colognesi de Souza
Aender Luís Guimarães
Aliana Lopes Câmara

Resumo

Este trabalho analisa a obra Kentukis, de Samanta Schweblin, com o objetivo de compreender de que modo a tecnologia impacta as relações humanas e a privacidade na sociedade contemporânea. A pesquisa busca discutir como a naturalização da vigilância e a mercantilização dos vínculos se apresentam na narrativa, revelando um cenário quase distópico que ilustra criticamente a realidade atual. A análise literária será feita com base nos conceitos de distopia, exibicionismo e voyeurismo, alienação tecnológica e sociedade do espetáculo, observando como esses elementos são incorporados na ficção. A obra transita entre os gêneros ficção científica e distopia moderna, utilizando o estranhamento causado pelos kentukis para denunciar os problemas do mundo digital, como a exposição voluntária, a superficialidade dos relacionamentos e a ausência de reflexão crítica por parte das personagens. Concluímos que Kentukis não apenas representa uma sociedade perturbadora, mas também denuncia a passividade quanto às mudanças tecnológicas, induzindo o leitor a refletir sobre os limites do progresso científico. A obra, assim, funciona como um espelho de nossa própria realidade, em que a privacidade é constantemente fragilizada e a dinâmica da vida cotidiana se torna cada vez mais nebulosa.

Detalhes do artigo

Seção
Artigos