METODOLOGIAS PARTICIPATIVAS E JUSTIÇA AMBIENTAL: A EXPERIÊNCIA DA CARTOGRAFIA SOCIAL EM MARIANA/MG

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Gabriel Mateus Silva Leite

Resumo

Este artigo analisa o uso da cartografia social familiar no processo de cadastramento participativo das famílias atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana/MG. O objetivo é compreender de que maneira essa metodologia contribuiu para uma escuta qualificada dos danos, superando as limitações dos instrumentos técnicos convencionais e valorizando os modos de vida das populações afetadas. Sua relevância está na necessidade de práticas de reparação mais sensíveis às dimensões subjetivas e territoriais dos atingidos. A pesquisa baseia-se em revisão bibliográfica e em experiências empíricas desenvolvidas entre 2018 e 2022, no contexto da atuação da Cáritas Brasileira como assessoria técnica independente na aplicação dessa metodologia. A cartografia social familiar foi aplicada a centenas de famílias atingidas, conduzida por uma equipe multidisciplinar em articulação com as comissões locais. Essa ferramenta permitiu representar os vínculos afetivos, simbólicos e culturais com o território. Os resultados indicam que, além de sistematizar perdas invisibilizadas por cadastros tradicionais, a cartografia funcionou como um espaço terapêutico e político, fortalecendo o protagonismo dos atingidos na produção da memória e na luta por justiça ambiental. Conclui-se que a cartografia é uma metodologia potente e necessária para processos de reparação que reconheçam os atingidos como sujeitos de direito e construtores de conhecimento.

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