REPARAÇÃO (IM)POSSÍVEL: A LUTA DAS MULHERES DE PARACATU DE BAIXO POR JUSTIÇA SOCIOAMBIENTAL
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Resumo
O trabalho apresenta uma análise socioespacial e cultural dos impactos do rompimento da barragem de Fundão na comunidade de Paracatu de Baixo, a partir das experiências vividas pelas mulheres atingidas. A pesquisa, realizada no contexto da disciplina “Água e Gênero” (PPGSSA/UFOP), teve como objetivo compreender como os processos de deslocamento involuntário afetam as relações com a água, o território e os modos de vida, tanto no território de origem quanto no reassentamento coletivo. A metodologia adotada combinou observação participante, escuta qualificada e cartografia social. Os resultados evidenciam a desestruturação de práticas socioculturais, produtivas e afetivas no reassentamento, bem como os desafios de reterritorialização enfrentados pelas famílias atingidas. A água, elemento central da análise, emergiu como símbolo de vida, memória e pertencimento. As mulheres se destacam como protagonistas da luta por justiça e reparação, reafirmando vínculos com o território e com os seus saberes ancestrais. Conclui-se que as estratégias tecnocráticas de reparação desconsideram as dimensões imateriais da moradia e da vida comunitária, comprometendo a efetividade do direito à reparação integral e à permanência com dignidade.
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