REPARAÇÃO (IM)POSSÍVEL: A LUTA DAS MULHERES DE PARACATU DE BAIXO POR JUSTIÇA SOCIOAMBIENTAL

Conteúdo do artigo principal

Gabriel Mateus Silva Leite
MONIQUE SANCHES MARQUES
KERLEY DOS SANTOS ALVES
PATRÍCIA SOARES DA SILVA

Resumo

 O trabalho apresenta uma análise socioespacial e cultural dos impactos do rompimento da barragem de Fundão na comunidade de Paracatu de Baixo, a partir das experiências vividas pelas mulheres atingidas. A pesquisa, realizada no contexto da disciplina “Água e Gênero” (PPGSSA/UFOP), teve como objetivo compreender como os processos de deslocamento involuntário afetam as relações com a água, o território e os modos de vida, tanto no território de origem quanto no reassentamento coletivo. A metodologia adotada combinou observação participante, escuta qualificada e cartografia social. Os resultados evidenciam a desestruturação de práticas socioculturais, produtivas e afetivas no reassentamento, bem como os desafios de reterritorialização enfrentados pelas famílias atingidas. A água, elemento central da análise, emergiu como símbolo de vida, memória e pertencimento. As mulheres se destacam como protagonistas da luta por justiça e reparação, reafirmando vínculos com o território e com os seus saberes ancestrais. Conclui-se que as estratégias tecnocráticas de reparação desconsideram as dimensões imateriais da moradia e da vida comunitária, comprometendo a efetividade do direito à reparação integral e à permanência com dignidade.

Detalhes do artigo

Seção
Artigos
Biografia do Autor

MONIQUE SANCHES MARQUES, Universidade Federal de Ouro Preto

Docente no mestrado em Sustentabilidade Socioeconômica Ambiental da Universidade Federal de Ouro Preto

KERLEY DOS SANTOS ALVES, Universidade Federal de Ouro Preto

Docente no mestrado em Sustentabilidade Socioeconômica Ambiental e no mestrado em Turismo e Patrimônio da Universidade Federal de Ouro Preto

PATRÍCIA SOARES DA SILVA, Universidade Federal de Viçosa

Mestra em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Viçosa