PAISAGEM E NATUREZA NA CIVILIZAÇÃO MAIA UMA ANÁLISE A PARTIR DA DOS SISTEMAS DE TERRAÇOS AGRÍCOLAS

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Giovana Merino Ferreira
Ana Carolina Carmona Ribeiro

Resumo

A pesquisa investiga as formas de manejo territorial da civilização maia e as relações que este povo estabeleceu com a natureza, paisagem e vegetação, dentro de uma perspectiva crítica e decolonial que procura compreender modos não-eurocêntricos de produção e interpretação da paisagem. A metodologia envolveu revisões bibliográficas e estudos de caso arquitetônico-paisagísticos – com destaque, no presente trabalho, para o sistema de terraços agrícolas, amplamente adotado por esta civilização. Tal sistema transformava encostas íngremes em superfícies cultiváveis, e expressa como os maias buscaram a adaptação ambiental e a integração entre áreas urbanas e produtivas, demonstrando conhecimentos técnicos avançados, gestão coletiva do espaço e uso eficiente de recursos. No sítio arqueológico de Caracol, em Belize, observa-se como estas estruturas desempenharam um papel estruturador no traçado urbano, sendo responsáveis por sustentar sua crescente população e articular o urbano e o rural, tornando difícil compreender (como acontece na concepção ocidental) o campo separado da cidade. Com suas práticas agrícolas, organização social e cosmovisão, os maias transformaram a paisagem em um sistema agroecológico complexo; esta configurava-se como um organismo vivo, planejado e continuamente cultivado, no qual dimensões produtivas, simbólicas e espirituais eram indissociáveis, sustentando grandes populações sem esgotar os recursos naturais.

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